Guia gratuito · Alpine Lynx

Comprar casa na Suíça

Para quem arrenda e pensa comprar: quem pode comprar, o dinheiro que precisas de ter, o teste do banco, a hipoteca, e os cuidados numa casa nova e numa casa usada. Em frases curtas. Explica; não aconselha.

Aviso: Isto é um guia educativo, não é aconselhamento financeiro, fiscal, jurídico nem imobiliário. As regras dos bancos, dos cantões e das comunas mudam, e cada caso é analisado à parte. Antes de decidir, fala com o teu banco, um notário e um advogado ou consultor habilitado.

1As regras em números

Nem todas as regras têm a mesma força. Neste guia, cada uma leva uma etiqueta:

  • Lei vale para toda a gente.
  • Regra da ASB a Associação Suíça de Banqueiros escreve-a; a FINMA (o regulador dos bancos) reconhece-a, e por isso obriga todos os bancos.
  • Prática quase todos os bancos, notários ou vendedores a seguem, mas cada um fixa os seus números.
  • Regra prática uma ordem de grandeza, não uma regra.

A entrada: o dinheiro que tens de pôr

É dinheiro real, que sai do teu bolso até à escritura. Os pormenores estão na secção 3.

20%do valor da casa tem de ser teu (capital próprio). A hipoteca cobre no máximo 80%.Prática
10%do valor tem de ser dinheiro «duro», que não vem do 2.º pilar. Faz parte dos 20%.Regra da ASB
0,2–6%do preço em custos de compra (imposto de transmissão, notário, registo predial), conforme o cantão. Pagas por cima, e não contam para os 20%.Regra prática
20'000o mínimo de cada levantamento do 2.º pilar.Lei

O teste do banco: a taxa de esforço teórica

É uma conta de papel, mais dura do que a realidade, para ver se aguentarias juros altos. Não é o que vais pagar. Os pormenores estão na secção 4.

5%de juro teórico sobre a hipoteca, seja qual for o juro de hoje.Prática
1%do valor da casa por ano, para manutenção e custos.Prática
2/3do valor: a dívida tem de descer até aqui em 15 anos. Esta amortização é real, e o teste também a conta.Regra da ASB
1/3do rendimento bruto: o máximo que a soma destes custos pode pesar.Prática

hipoteca × 5% + amortização + 1% do valor ≤ 1/3 do rendimento bruto

Números verificados a 14.10.2026. As regras e os juros mudam — confirma sempre a data.

2Quem pode comprar

A autorização de residência (Lex Koller)

A Lex Koller é a lei que limita a compra de casas por «pessoas no estrangeiro». Para esta lei, «no estrangeiro» não quer dizer só quem vive fora: depende também da tua nacionalidade e da tua autorização. Lei

Quem ésO que podes comprar
Suíço, ou com autorização CQualquer casa, como um suíço. Sem autorização.
Cidadão da UE ou da AELE, com autorização B e a viver na SuíçaQualquer casa, sem autorização: a casa onde vives, uma casa para arrendar, uma casa de férias (onde a Lex Weber deixa, ver abaixo).
De outro país, com autorização BSó a casa onde vais viver (residência principal), em teu nome. Uma casa para arrendar ou de férias precisa de autorização do cantão, que só se dá em casos limitados.
Outros casos (vives fora, autorização L ou G)Regras próprias. Pergunta ao notário ou ao serviço do cantão antes de fazeres uma proposta.

A 15.04.2026, o Conselho Federal pôs em consulta um anteprojeto que aperta a lei para quem tem autorização B de um país fora da UE e da AELE. Ainda não é lei e, tal como está, não seria retroativo. Quem é da UE/AELE ou tem autorização C não muda.

As casas de férias (Lex Weber)

Numa comuna com mais de 20% de residências secundárias, uma casa nova só pode ser residência principal (ou, em condições duras, alojamento turístico). A restrição fica escrita no registo predial. As casas construídas antes de 11.03.2012 escapam. Lei

Isto também pesa no dia em que venderes: só podes vender a quem lá vá viver, e perdes o comprador de casa de férias. A percentagem de cada comuna está no inventário federal (ARE). Uma comuna de planície pode passar dos 20% se tiver uma estância de esqui dentro dos seus limites.

Casados, ou a comprar a dois

  • A casa da família não se vende nem se hipoteca sem o acordo escrito do cônjuge, mesmo que esteja só em nome de um (art. 169 do Código Civil). Lei
  • Casaste no estrangeiro e vives na Suíça? Em regra, aplica-se o regime de bens suíço (a participação nos adquiridos), salvo se fizeram uma convenção escrita. Diz ao notário se há convenção. Lei
  • Comprar a dois, metade cada um (compropriedade): os dois podem usar o seu 2.º pilar, os dois rendimentos contam no teste, e os dois ficam responsáveis pela dívida inteira. Só pode usar o 2.º pilar quem for dono.
  • No notário vão os dois, com as autorizações de residência, os passaportes e a certidão de casamento (ou uma procuração feita no notário).

O teu rendimento, aos olhos do banco

  • Só conta o rendimento de quem assina a hipoteca. Prática
  • Bónus, ações da empresa (RSU) e outros rendimentos variáveis são cortados ou não contam. Pergunta como contam o 13.º mês e o bónus: um teste com rendimento incompleto dá um teto falso.
  • Independentes: o banco só conta o rendimento depois de 2 a 3 anos de contas fechadas. Se vais mudar de estatuto, isto pesa na data.
  • Contrato novo: alguns bancos esperam pelo fim do período experimental. O subsídio de desemprego e as indemnizações não contam.
  • Um despedimento em curso tem de ser dito ao banco. Escondê-lo é dolo.

3O dinheiro que precisas de ter

A hipoteca é o empréstimo do banco. A casa fica como garantia: se não pagares, o banco pode vendê-la. O que pões tu chama-se capital próprio.

Os 20%, e metade «duro»

  • O banco empresta até 80% do valor. Os outros 20% são teus. Prática
  • Pelo menos 10% do valor tem de ser dinheiro «duro»: dinheiro que não vem do 2.º pilar. Regra da ASB
  • Conta como duro: poupança, títulos, o 3.º pilar a, doações, herança antecipada. Desde 2025, também empréstimos de família próxima (pais, avós, irmãos, filhos adultos), se quem empresta confirmar por escrito que só recebe de volta com o acordo do banco.
  • Os custos de compra pagam-se à parte, com dinheiro teu. O banco não os empresta.

O valor mais baixo conta. O banco avalia a casa e usa o mais baixo entre o preço e a avaliação. Se a avaliação fica 50'000 abaixo do preço, precisas de cerca de 40'000 a mais de capital próprio (os 80% de 50'000), e o que pagas acima da avaliação sai do teu dinheiro duro. Regra da ASB Pede a avaliação antes de fazeres a proposta. As estimativas de sites na internet não são avaliações.

A conta rápida

preço máximo ≈ o teu dinheiro ÷ (0,20 + custos de compra)

Com 230'000 e custos de 3%: 230'000 ÷ 0,23 = 1'000'000. Antes de dividir, tira o imposto do levantamento dos pilares e a reserva que queres guardar. Esta conta só vê o dinheiro; o rendimento tem o seu próprio limite (secção 4).

Os custos de compra, por cantão

São o imposto de transmissão (do cantão e às vezes da comuna, sobre a mudança de dono), o notário, o registo predial (o registo público de quem é dono de cada casa) e a cédula hipotecária (o título da garantia que o banco recebe). Valores típicos para a casa onde vais morar:

CantãoCustos de compra, do preço
Zurique (ZH), Zug (ZG), Schwyz (SZ)0,2–0,35%
Basileia-Campo (BL), Soleura (SO)0,3–0,6%
Argóvia (AG)0,85–1,05%
Lucerna (LU)1,9–2,2%
Friburgo (FR), Ticino (TI)1,9–2,6%
Berna (BE)2,0–2,6%
Valais (VS)2,0–3,0%
Neuchâtel (NE)2,6–3,6%
Vaud (VD)2,9–4,0%
Genebra (GE)5,0–6,0%

A calculadora tem os 26 cantões. Alguns cantões reduzem ou devolvem o imposto a quem vai morar na casa (em Berna, por exemplo, depois de lá viveres 2 anos). Faz o orçamento com o valor de cima do intervalo, e pede ao notário a conta exata antes da escritura.

O 2.º pilar: levantar ou penhorar

O 2.º pilar é a caixa de pensões do teu emprego. Para a casa onde vais viver (nunca uma casa de férias ou para arrendar), podes usá-lo de duas maneiras. Lei

Levantar (EPL)

  • O dinheiro entra na casa como capital próprio.
  • A hipoteca fica mais pequena: menos juros.
  • Pagas um imposto à parte sobre o levantamento.
  • A tua pensão desce; às vezes também a cobertura de invalidez e morte.

Penhorar (dar como garantia)

  • O dinheiro fica na caixa; o banco fica com o direito sobre ele.
  • Sem imposto, a pensão não desce.
  • A hipoteca fica maior (até cerca de 90%): mais juros, teste mais duro.
  • A parte acima de 80% pode ter juro mais alto e amortizar mais depressa.

Pede ao banco as duas contas lado a lado. Pede também à caixa o mapa das tuas prestações antes e depois do levantamento (é grátis).

  • Mínimo 20'000 por levantamento. No máximo uma vez a cada 5 anos, até 3 anos antes da reforma. Depois dos 50 anos há limites.
  • Casado ou em união registada: precisas da autorização escrita do cônjuge.
  • Demora 4 a 8 semanas. É muitas vezes o passo mais lento: marca a escritura com essa margem. A caixa paga ao notário ou ao banco, nunca a ti.
  • Se venderes a casa, devolves o dinheiro à caixa (fica uma nota no registo predial), salvo se o puseres noutra casa tua em 2 anos. Também podes devolver por vontade própria, 10'000 de cada vez no mínimo; o imposto pago volta, sem juros.
  • Cuidado com os «resgates» (pôr dinheiro no 2.º pilar para baixar o imposto): depois de um resgate, não podes levantar capital durante 3 anos (art. 79b LPP). Por isso, muitos fazem os resgates só depois da compra. Lei
  • Dinheiro esquecido: se tiveste vários empregos, pode haver contas de livre passagem perdidas. A Central do 2.º pilar procura-as de graça. Juntá-las na caixa atual não é um resgate, não paga imposto e pode fazer-te passar os 20'000.

O 3.º pilar a

  • Conta como dinheiro duro. Podes levantá-lo para comprar, sem mínimo, uma vez a cada 5 anos. Lei
  • Uma conta levanta-se inteira, não em parte. Quem tem várias contas pode fechá-las em anos diferentes, e o imposto fica mais baixo.
  • 3.º pilar num seguro: o banco conta o valor de resgate, que pode ser muito mais baixo do que o valor do extrato. Pede à seguradora uma carta com esse valor antes de fazeres contas.
  • Depósito máximo em 2026: 7'258 por pessoa, se tens 2.º pilar.

O imposto do levantamento

Levantar o 2.º ou o 3.º pilar paga um imposto à parte, com taxa reduzida. Para 250'000, uma pessoa só paga entre cerca de 4% e 9%, conforme o cantão. Regra prática Os levantamentos do mesmo ano somam-se (num casal, os dos dois), e a taxa sobe: fechar um 3.º pilar no mesmo ano em que levantas o 2.º sai mais caro.

A fatura chega meses depois da escritura, e o banco não empresta esse dinheiro. Guarda-o à parte.

Guarda uma reserva, e prova de onde vem o dinheiro

  • Comprar «com zero na conta» é frágil: o notário cobra mais do que o previsto, o 3.º pilar vale menos, a assembleia vota uma obra. Uma folga de poucos milhares desaparece depressa.
  • O banco pergunta de onde vem o dinheiro (lei contra o branqueamento). É rotina. Responde com documentos: certificados de salário, extratos com as vendas de títulos, extratos bancários.

4O teste do banco

O banco não faz as contas com o juro de hoje. Faz um teste de capacidade (em alemão Tragbarkeit), para ver se aguentarias juros altos: Prática

hipoteca × 5% + amortização + 1% do valor ≤ 1/3 do rendimento bruto

Os 1% são manutenção e custos da casa. O rendimento bruto é antes de impostos. Leasings e outros créditos somam-se do lado dos custos.

Exemplo: uma casa de 1'000'000, com 80% de hipoteca

Por ano
Juro teórico: 5% de 800'00040'000
Amortização: (800'000 − 666'667) ÷ 158'889
Manutenção e custos: 1% de 1'000'00010'000
Total no teste58'889
Rendimento bruto mínimo (× 3)176'667

Ou seja: com 80% de hipoteca, precisas de um rendimento bruto de cerca de 18% do preço. Acima de um certo preço, quem manda é o rendimento, não a poupança. Regra prática

  • Cada banco tem os seus números. Alguns usam 4,5% de juro, outros 0,7% de manutenção (ou menos numa casa nova e eficiente). Meio ponto de juro teórico muda o preço máximo em 4 a 7%. Pergunta.
  • Na reforma: muitos bancos testam também com a pensão que esperas receber.
  • Na renovação: o teu banco raramente repete o teste se pagas a horas. Mudar de banco repete-o. Se nessa altura só houver um rendimento (desemprego, tempo parcial depois de um filho), ficas preso ao teu banco e às margens dele. Faz o teste também com um só rendimento.
  • O teste é de propósito muito mais duro do que o custo real. A amortização também não é dinheiro perdido: baixa a tua dívida.

Pede ao banco a tua capacidade máxima antes de te apaixonares por uma casa. Guarda-a para ti: ao vendedor só mostras uma confirmação de financiamento ao preço acordado.

5A hipoteca: graus, SARON e taxa fixa

1.º e 2.º grau, e a amortização

Amortizar é pagar a dívida, não só os juros. Na Suíça não precisas de pagar a hipoteca até zero. Por isso ela tem duas partes:

  • 1.º grau: até 2/3 do valor da casa. Pode ficar para sempre. Regra da ASB
  • 2.º grau: de 2/3 até 80%. Tens de o pagar em 15 anos, em prestações iguais, ou até à reforma se chegar antes. Regra da ASB Alguns bancos usam 65% em vez de 2/3. Prática

A amortização calcula-se sobre o valor da casa, não sobre a dívida: (hipoteca − 2/3 do valor) ÷ 15. Pede na oferta o valor anual em francos.

  • Amortização direta: pagas ao banco, e a dívida e os juros descem todos os anos.
  • Amortização indireta: depositas o mesmo dinheiro numa conta de 3.º pilar a, penhorada ao banco. A dívida não desce; no fim, o 3.º pilar paga-a de uma vez. Os depósitos baixam o teu imposto, mas os juros correm sobre a dívida toda.

A cédula hipotecária

É o título da garantia, inscrito no registo predial. Numa casa usada, muitas vezes passa-se a cédula que já existe (pergunta ao notário quem paga a transferência). Uma cédula nova custa cerca de 0,1 a 0,3% do montante, conforme o cantão. Num prédio novo, os lotes ainda não têm cédula.

SARON ou taxa fixa

  • Hipoteca SARON: o SARON é o juro a que os bancos suíços emprestam uns aos outros de um dia para o outro. Pagas o SARON mais a margem do banco (em regra 0,7 a 1,2 pontos), acertado de 3 em 3 meses. Hoje é a mais barata, mas pode subir. Vem muitas vezes num contrato-quadro de 3 a 5 anos que te prende ao banco.
  • Hipoteca fixa: o juro fica fechado durante 2 a 15 anos. Sabes quanto pagas. Para o banco, o custo é o swap (o juro do mercado para esse prazo) mais a sua margem. Pede a oferta escrita como «swap + margem»: a margem de mercado anda perto de 1 ponto, e uma margem bem acima disso merece pergunta.
  • Sair de uma fixa antes do fim (porque vendes, mudas de banco, te divorcias) custa uma indemnização que pode chegar a dezenas de milhares. No fim do prazo sais sem custo.
  • Partes com prazos diferentes (2 ou 3) repartem o risco de juro, mas prendem-te ao banco: quando uma acaba, a outra ainda corre.

Juros médios a 21.9.2026 (cerca de 100 credores)

HipotecaJuro médio
SARON1,04%
Fixa a 2 anos1,59%
Fixa a 5 anos1,83%
Fixa a 10 anos2,06%

São médias da MoneyPark. A taxa diretora do Banco Nacional Suíço está em 0% (24.9.2026). As melhores ofertas ficam abaixo das médias, e o juro final negoceia-se. Cada 0,10 pontos numa hipoteca de 500'000 são 500 por ano.

Como pedir ofertas

  • Pede pelo menos 3 ofertas escritas (um banco cantonal, outro banco, um intermediário ou uma seguradora), todas para no máximo 80%.
  • Uma taxa «indicativa» não é uma oferta. Só vale o papel com o teu nome, a casa, o montante e o prazo.
  • As taxas publicadas valem para hipotecas até 80% e clientes sem risco.
  • Fixar hoje um juro para começar mais tarde custa um suplemento (cerca de 0,1 a 0,25 pontos). Numa casa nova, a fixa começa em geral na entrega.
  • Alguns bancos dão desconto a casas eficientes (Minergie, certificado energético A ou B, painéis solares). Pergunta.
  • Se o banco pedir um seguro de vida, compara tipos e preços fora do banco. Nunca canceles um seguro antes de o novo estar aceite: o novo pede um questionário de saúde.

Os intermediários (courtiers)

Um intermediário compara bancos por ti. É pago pelo banco, uma vez, quando a hipoteca é assinada; as comissões dos seguros, essas, são todos os anos. Antes de assinar o mandato, lê: Prática

  • se te proíbe de falar com bancos ao mesmo tempo (exclusividade);
  • se te cobra uma indemnização se fechares com o teu próprio banco, ou se desistires;
  • se te entrega todas as ofertas que recebeu;
  • que procurações te pede (fisco, empregador, caixa de pensões).

Na Suíça, um mandato pode terminar-se a qualquer momento (art. 404 do Código das Obrigações), e as penalizações por isso têm validade duvidosa. Faz o teste dos 5 minutos: compara as ofertas com as taxas publicadas de um banco online.

6Comprar uma casa nova

Comprar em planta (antes de a casa existir) tem vantagens: escolhes acabamentos, a casa é eficiente e não há obras nos primeiros anos. Mas o risco é teu durante a obra.

Duas formas de comprar

  • Venda chave-na-mão: compras ao promotor um lote acabado, com escritura e data de entrega. Pagas um sinal e o resto na entrega, ou por etapas.
  • Terreno + contrato de obra: compras o terreno e assinas um contrato com um construtor. Pagas por etapas, com um crédito de construção em teu nome. Pergunta se a obra leva IVA (8,1%) e se o preço o inclui.

O crédito de construção e os juros da obra

Quando pagas por etapas, o banco abre um crédito de construção: paga ao construtor à medida que a obra avança. Tu pagas juros só sobre o que já foi usado, de 3 em 3 meses, a uma taxa variável (cerca de 2 a 2,5%). No início pagas pouco; perto da entrega quase o crédito todo. Na entrega, o crédito passa a hipoteca normal, e a taxa fixa começa aí. Prática

Em média, durante a obra, está usada cerca de metade do crédito. Uma estimativa:

juros da obra ≈ crédito × taxa × meses ÷ 12 × 0,5

800'000 a 2%, com 12 meses de obra: 800'000 × 2% × 12 ÷ 12 × 0,5 = 8'000. Por mês, começa em poucas dezenas e chega a cerca de 1'300 no fim.

  • Estes juros pagam-se com o teu dinheiro, durante a obra, ao mesmo tempo que a renda. Conta com eles nos teus fundos.
  • O 2.º pilar pago por etapas complica: o levantamento tem de ir para a casa. O mais simples é um sinal pequeno e o resto na escritura ou na entrega.
  • Pergunta: sobre que valor calculam os 80% (o preço, ou o custo total com juros e notário); se a hipoteca final tem de ficar no banco do crédito; se o banco pode suspender o crédito se a tua situação mudar.
  • Muitas vezes o promotor impõe o banco. É normal. Mas um banco a financiar o promotor não te protege da falência do construtor — esse é o risco real.

A reserva e o sinal

Na Suíça, a venda e a promessa de venda de uma casa só valem com escritura pública num notário (art. 216 do Código das Obrigações). Um «contrato de reserva» privado não obriga ninguém, e o dinheiro pago pode não voltar. Lei

  • Nada de reservas nem sinais antes da resposta do banco.
  • O sinal vai para uma conta do notário, nunca para o promotor. Sai só com a escritura ou com acordo escrito.
  • Cláusula de financiamento: se o crédito não for obtido E mantido até à escritura, o sinal é devolvido por inteiro. Também se o banco imposto pelo promotor recusar.
  • Nome legal exato do vendedor e extrato do registo comercial. Vê há quantos anos existe a empresa, o capital e se teve falências.
  • Confirma o IBAN por telefone, com o número do diretório público, nunca com o do email.
  • Pede o projeto de escritura e o contrato de obra pelo menos 10 dias antes, e dá-os a ler a um advogado.
  • Nunca assines na visita.

As proteções contra o construtor

  • Garantia bancária de conclusão: um banco garante que a casa fica acabada se o construtor falhar. Com um promotor pequeno ou recente, não abdiques dela.
  • Pagar só o que está feito, através do notário, contra prova do avanço da obra.
  • Hipoteca legal dos artesãos (art. 837 do Código Civil): um subempreiteiro que não foi pago pode inscrever uma hipoteca sobre a tua casa, mesmo que tu tenhas pago tudo, até 4 meses depois do fim dos trabalhos. Pede uma garantia bancária ou a prova de que todos foram pagos. Lei
  • Data de entrega firme na escritura, com uma pena por atraso (art. 160 do Código das Obrigações), por cada mês começado, perto do custo real de uma casa provisória e de um guarda-móveis. Atrasos de 3 a 6 meses são frequentes. Prática

O que compras, exatamente

  • A brochura não é o contrato. Só vale o descritivo técnico detalhado anexo à escritura (o que «faz fé»), não o «de princípio». As imagens são «não contratuais».
  • Área: a «bruta» inclui as paredes; a «ponderada» soma varandas a metade ou a um terço. Só a área útil (a soma das divisões, norma SIA 416) serve para comparar. A bruta é cerca de 1,2 vezes a útil. Soma tu as divisões do plano cotado; já se viram anúncios 15% a 35% acima. Compara CHF por m² útil, sem o estacionamento. Regra prática
  • Muitas vezes não incluído: vedação, sebes, relva, rega, pavimento do terraço, terra vegetal, cozinha e casas de banho acima do orçamento, ligações às redes, licenças, a taxa do abrigo de proteção civil. Pergunta por escrito item a item.
  • Pergunta também: a licença de construção já não pode ser contestada? Há perigos naturais no mapa do cantão? A casa é tua com o terreno, ou num direito de superfície? Visita uma casa já entregue do mesmo promotor e fala com um dono.

Extras e escolhas

  • Os extras («plus-valias») são lucro do promotor: margens de 10 a 18% sobre o custo. Pede orçamento por item, com a margem à parte. Prática
  • Extras assinados depois da escritura muitas vezes não entram na hipoteca. Põe-nos dentro do preço da escritura.
  • O preço «com acabamentos conforme orçamento» é o de entrada. O preço final fica muitas vezes 4 a 9% acima. Quase nunca há crédito se gastares menos.
  • Antes do betão é barato; depois é caro: tubos vazios (internet, ar condicionado, carregador do carro, tomadas no terraço), termóstato por divisão, o plano elétrico, a posição da unidade exterior da bomba de calor.
  • Acústica: a norma SIA 181 tem exigências «mínimas» e «acrescidas» (cerca de 3 dB melhor). Pede as acrescidas por escrito, e pergunta o que fica por cima do teu quarto.

Garantias e prédio novo

  • Defeitos: com a norma SIA 118, tens 2 anos para denunciar os defeitos que se veem; os escondidos têm 5 anos (art. 371 do Código das Obrigações). Denuncia por escrito, logo. Pergunta quem responde e se as garantias do construtor passam para ti. Lei
  • O regulamento da PPE é escrito pelo promotor antes da primeira venda. Lê-o, e pede uma cláusula que deixe cada dono instalar, à sua custa e sem votação, pérgula, toldo, carregador ou painéis nas partes de uso exclusivo.
  • Num prédio novo, o fundo de renovação começa perto de zero, e o primeiro orçamento de encargos costuma ser otimista.
  • Uma PPE por prédio ou uma para todo o conjunto? Na segunda, o teu voto pesa menos e partilhas os problemas dos outros prédios.

Para encontrares projetos cedo: os pedidos de licença de construção saem no boletim oficial do cantão, 12 a 24 meses antes das vendas, com o nome do dono da obra.

7Comprar uma casa usada

A maioria dos apartamentos está em propriedade por andares (PPE): és dono do teu apartamento e de uma parte (os milésimos) das partes comuns — telhado, fachada, escadas, aquecimento. As decisões tomam-se na assembleia dos donos, e os custos repartem-se pelos milésimos.

Os documentos a pedir, antes de qualquer proposta

  • As contas da PPE dos últimos 2 a 3 anos e o orçamento do ano.
  • As atas das últimas 2 a 3 assembleias, e das extraordinárias.
  • O extrato do fundo de renovação: saldo e movimentos.
  • O regulamento da PPE (e de utilização), o ato constitutivo e a tabela dos milésimos.
  • O acerto anual de encargos do apartamento (em francês, décompte de charges) e os estudos de obras pedidos pela assembleia.
  • O ano de construção, o certificado energético (CECB ou GEAK) e o valor de seguro do edifício.
  • Uma declaração de que o vendedor não deve nada à comunidade.
  • O extrato completo do registo predial: cédulas, servidões, menções. O resumo só com a descrição do lote não os mostra.

Um prédio saudável manda tudo sem hesitar. Os documentos mostram o que o vendedor e o agente não dizem: eles são parte interessada. Prática

O fundo de renovação

É o dinheiro que os donos juntam para as obras grandes das partes comuns (telhado, fachada, elevador, aquecimento). Não é obrigatório por lei — o Conselho Federal recusou torná-lo obrigatório a 13.5.2026 — e o regulamento fixa quanto se paga.

  • Quanto devia ter: a associação suíça dos donos em PPE recomenda pelo menos 0,4% do valor de seguro do prédio por ano, até o fundo chegar a cerca de 6%. A média real anda pelos 0,36%. Regra prática
  • Sinal vermelho: menos de 0,2% por ano, um fundo parado, ou obras votadas sem dinheiro no fundo. Sem fundo, um telhado ou uma fachada pagam-se com uma chamada de capital: dezenas de milhares por apartamento.
  • Um preço baixo ao m² pode ser o preço de uma obra que aí vem.

O vendedor pode ficar com parte do fundo?

O fundo é da comunidade dos donos, não de cada um (art. 712l do Código Civil). Fica no prédio quando o apartamento muda de dono. Lei O vendedor não pode tirar dinheiro do fundo sozinho. O que pode acontecer:

  • No contrato: o vendedor pede que lhe pagues a «parte dele» no fundo, à parte do preço. É negociável. Confirma que não a pagas duas vezes — no preço e outra vez à parte.
  • Na assembleia: só a assembleia decide usar o fundo, ou, raramente, devolver uma parte a todos os donos. Uma decisão destas aparece nas atas: lê-as.
  • O adiantamento dos encargos do ano (a «provisão») é outra coisa: acerta-se no notário, à data da venda.

Confirma no regulamento e com o notário.

As chamadas de capital e as dívidas

  • Uma obra já votada mas ainda não paga passa para ti, salvo se a escritura disser o contrário. Põe na escritura quem paga. Prática
  • A comunidade tem uma hipoteca legal sobre o apartamento pelas contribuições em atraso dos últimos 3 anos (art. 712i do Código Civil). Daí a declaração de que o vendedor não deve nada. Lei

Ler as atas: o que procurar

  • Avarias que se repetem (aquecimento, elevador, infiltrações), ou aluguer de um aquecimento de recurso.
  • Litígios: contra o promotor, entre donos, cobranças em tribunal a um dono que não paga.
  • Custas pagas à outra parte: sinal de um processo perdido.
  • Um estudo de saneamento encomendado, ou uma assembleia marcada sobre fachada ou telhado.
  • Um orçamento «de esperança», que supõe que a avaria acaba.
  • O promotor ainda dono de muitos lotes, ou muitos apartamentos à venda ao mesmo tempo.

«Problema resolvido» prova-se com papel: a ata com a votação, a fatura e a garantia da reparação, a prova do fim do processo, o saldo do fundo.

Os encargos e o prédio

  • Encargos normais: cerca de 30 a 50 CHF por m² por ano. Muito abaixo pode querer dizer que o fundo de renovação não está incluído, ou que o orçamento é otimista. Nas contas reais, os encargos anunciados saem muitas vezes uns 25% acima. Regra prática
  • Amianto: foi proibido a 1.3.1990. Lei Um prédio de antes de 1991 é suspeito: «renovado» não quer dizer «sem amianto». Antes de obras, muitos cantões exigem um diagnóstico. Pergunta se já foi feito.
  • Aquecimento: se a caldeira for trocada, muitos cantões exigem energia renovável. Pergunta a idade e o plano da assembleia.
  • Estacionamento: o lugar está no mesmo lote do registo, ou é um direito de uso à parte? A escritura deve identificá-lo.
  • Apartamento arrendado: a venda não acaba o arrendamento (art. 261 do Código das Obrigações). Só o podes terminar se precisares dele com urgência para ti. Um apartamento ocupado vende-se em geral 10 a 20% mais barato.

A visita: o estado do apartamento

  • Começa pela cave: humidade, manchas, cheiro a mofo, fissuras nas paredes de fundação.
  • Humidade em cima: cantos das paredes exteriores, atrás dos móveis, à volta das janelas, por baixo dos lava-loiças, à volta das banheiras e duches.
  • Fissuras: uma fissura fina, horizontal e regular onde o teto encontra a parede, em várias divisões, costuma ser benigna. Alarme: fissuras na diagonal a partir dos cantos das portas e janelas, no meio do teto, alinhadas no chão, que continuam na fachada, ou portas que roçam.
  • Fotografa: o quadro elétrico (disjuntores e diferencial, ou fusíveis antigos), a placa do aquecimento (ano e tipo), o contador.
  • Janelas: vidro duplo ou triplo, estado das juntas, ano gravado no caixilho.
  • Água: abre torneiras e duches (pressão, água quente, cor), puxa o autoclismo, vê os sifões.
  • Ruído e luz: visita a horas diferentes. O que está por cima? Cada quarto tem janela?
  • Regras da casa: o regulamento pode proibir máquina de lavar no apartamento, ar condicionado na fachada ou fechar a varanda.

Uma visita de uma hora com um arquiteto ou engenheiro independente custa algumas centenas de francos, cerca de 0,1% do preço. Se encontrar um defeito, põe na escritura como se repara e quem paga. Lembra-te também: obras numa casa usada só sobem o valor para o banco em 50 a 80% do que custam. Regra prática

8A compra, passo a passo

  1. Faz as contas com a calculadora e pede ao banco a tua capacidade máxima. Guarda-a para ti.
  2. Pede os documentos (PPE, ou promotor e descritivo) antes de te comprometeres.
  3. Visita com a lista, de preferência com um profissional se a casa é usada.
  4. Pede a avaliação do banco antes de fazer a proposta. Uma avaliação alta protege-te; uma baixa é um teto que não é teu, é do banco.
  5. Faz a proposta por escrito. Negoceia só por escrito; ao telefone, «mande-me os números por email». Margens típicas em 2026: 3 a 7% numa casa bem posicionada; 8 a 12% se está cara, precisa de obras ou está há muito à venda; 0 a 3% numa casa nova (aí negoceiam-se os extras). De outubro a fevereiro, o mercado é mais calmo. Regra prática
  6. Mostra a confirmação de financiamento ao preço acordado, nunca com o teu máximo.
  7. Casa nova: reserva só no notário, com as cláusulas da secção 6.
  8. Escolhe o banco entre as ofertas firmes. Pede logo o levantamento do 2.º e do 3.º pilar (4 a 8 semanas).
  9. Lê o projeto de escritura pelo menos 10 dias antes. Confirma o IBAN do notário por telefone.
  10. Escritura no notário. Só ela torna a compra válida. Lei O dinheiro (hipoteca, pilares, o teu) passa pelo notário.
  11. Registo predial. A casa só é tua quando fica inscrita. Lei
  12. Depois chegam as faturas: o imposto do levantamento dos pilares e, se ainda não foi pago, o imposto de transmissão.

Do «sim» do vendedor à escritura passam em geral 1 a 3 semanas. É a janela frágil: confirma por email no mesmo dia, marca o notário nessa semana e não reabras temas.

O agente trabalha para o vendedor. Conta que o que lhe dizes chega ao vendedor no mesmo dia. Não digas o teu teto, o teu prazo nem que não tens alternativa. Pede sempre duas linhas por escrito depois de cada conversa. Prática

9Enquanto ainda arrendas

  • O pré-aviso: o contrato de arrendamento tem um prazo (muitas vezes 3 meses) e datas fixas para sair. Numa casa nova, não rescindas antes de teres a entrega garantida: se a obra atrasar, pagas duas casas.
  • Sair antes do prazo (art. 264 do Código das Obrigações): apresentas um novo inquilino solvente que aceite as mesmas condições. Não é uma saída garantida (Tribunal Federal, 4A_97/2025): se houver disputa sobre o candidato, podes continuar a dever rendas. A saída mais segura é um acordo escrito com o senhorio. Lei
  • Prolongação (art. 272–273): se o senhorio te rescindir o contrato, podes pedir à comissão de conciliação para ficares mais tempo (até 4 anos numa habitação). Pede em 30 dias depois de receberes a rescisão; num contrato a prazo fixo, até 60 dias antes do fim. Pede uma data fixa, nunca «até a casa estar pronta». Se foste tu a rescindir, não há prolongação: só um acordo. Lei
  • O atraso da tua obra é risco teu. O senhorio não tem de esperar.
  • A caução (no máximo 3 meses de renda sem encargos) é libertada quando sais e entra no teu dinheiro.
  • Os custos de mudar: renda em dobro, casa provisória, guarda-móveis, duas mudanças. Numa mudança dupla, facilmente 10'000 a 20'000. Regra prática
  • Compara coisas iguais: a tua renda com encargos contra o custo de dono com os mesmos itens. Um inquilino vê pouco: o dono paga também a manutenção, o fundo, o seguro e o imposto predial.

10Os custos de ser dono

Separa sempre duas coisas: quanto sai da conta por mês, e quanto custa de facto. A amortização sai da conta, mas não é um custo: é dívida que pagas, dinheiro que fica teu. Quem já poupa num 3.º pilar pode pôr essa poupança na amortização indireta.

ItemOrdem de grandeza
JurosHipoteca × juro do contrato (secção 5).
Encargos da PPE30 a 50 CHF por m² por ano: aquecimento, água, administração, seguro do prédio, fundo de renovação.
Manutenção do teu interiorNuma casa nova, cerca de 0,7% do preço por ano (há pouco a fazer nos primeiros anos); numa usada, cerca de 1%. Numa moradia sem PPE pagas tudo sozinho, telhado incluído: 1 a 1,5% do valor por ano. Regra prática
Imposto predialSó em alguns cantões e comunas, em geral 0,5 a 1,5 por mil do valor fiscal por ano.
Seguro do edifícioNuma PPE, entra nos encargos. Numa moradia, à parte.
AmortizaçãoSai da conta até a dívida chegar a 2/3. Não é custo: é poupança.

Os impostos de quem mora na casa

  • Até ao fim de 2028: pagas imposto sobre um valor locativo (uma renda fictícia), e descontas os juros e a manutenção.
  • A partir de 1.1.2029: o valor locativo acaba (votação de 28.9.2025, data fixada pelo Conselho Federal a 1.4.2026). Deixas também de descontar a manutenção e os juros da casa onde moras. Lei
  • Exceção, a dedução do 1.º comprador: quem compra a primeira casa pode descontar juros até 10'000 (casal) ou 5'000 (pessoa só) no 1.º ano, a descer 10% por ano durante 10 anos. Confirma com o fisco como contam os anos de compra antes de 2029.
  • A casa conta para o imposto sobre a fortuna pelo valor fiscal (em geral abaixo do preço), e a dívida desconta-se.

A juros baixos, ter casa quase não muda o imposto sobre o rendimento. Não deixes o imposto escolher a data da escritura.

Um dia, vender

A mais-valia (o ganho na venda) paga um imposto do cantão, mais alto se vendes depressa e mais baixo com os anos. Se compras outra casa para morar, na Suíça, num prazo curto, o imposto fica adiado. O 2.º pilar levantado volta à caixa, salvo se o puseres na nova casa. E uma taxa fixa a meio do prazo custa uma indemnização. Lei

11Sinais de alarme

  • Uma prestação anunciada sem amortização, com um juro baixo, ou com a manutenção calculada sobre a dívida em vez do valor.
  • Pressa para reservar, pagar ou assinar antes da resposta do banco. Um prazo sem força legal é pressão: pergunta por escrito «o que acontece depois?».
  • Um sinal pago para a conta do promotor, ou um IBAN novo enviado por email.
  • Recusa em pôr por escrito a devolução do sinal se o crédito falhar.
  • Promotor sem garantia de conclusão, com o nome legal impreciso, ou com falências anteriores.
  • Área bruta ou ponderada vendida como útil; preço «a partir de» sem estacionamento, IVA ou ligações.
  • Descritivo antigo, «de princípio», ou de outro lote. Uma oferta do banco feita com o preço de outra casa.
  • Extras fora do preço da escritura.
  • PPE com litígios, fundo parado, avarias repetidas, e as atas por pedir.
  • Prédio de antes de 1991 sem diagnóstico de amianto.
  • Um resgate no 2.º pilar feito pouco antes da compra: bloqueia o levantamento durante 3 anos.
  • Um mandato de intermediário com exclusividade, penalizações, ou ofertas que não te mostra.
  • Uma folga de poucos milhares no teu dinheiro.
  • Números, prazos e promessas só ao telefone. O que é vago protege quem fala; o escrito protege-te a ti.

12As palavras das cartas

Os bancos, os notários e as PPE escrevem em alemão, francês ou italiano. Estas são as palavras que mais vais ver:

PortuguêsAlemãoFrancês
HipotecaHypothekhypothèque
Capital próprioEigenmittelfonds propres
Teste de capacidadeTragbarkeitcapacité financière
AmortizaçãoAmortisationamortissement
Taxa fixaFesthypothekhypothèque à taux fixe
Confirmação de financiamentoFinanzierungsbestätigungattestation de financement
Levantamento do 2.º pilarVorbezug (WEF)versement anticipé (EPL)
Dar como garantiaVerpfändungmise en gage
Resgate no 2.º pilarEinkaufrachat
Valor de resgate (seguro)Rückkaufswertvaleur de rachat
Imposto de transmissãoHandänderungssteuerdroits de mutation
Escritura públicaöffentliche Beurkundungacte authentique
Registo predialGrundbuchregistre foncier
Cédula hipotecáriaSchuldbriefcédule hypothécaire
Crédito de construçãoBaukreditcrédit de construction
Juros da obraBauzinsenintérêts intercalaires
Garantia de conclusãoFertigstellungsgarantiegarantie d'achèvement
Hipoteca legal dos artesãosBauhandwerkerpfandrechthypothèque légale des artisans
Descritivo técnicoBaubeschriebdescriptif technique
Contrato de reservaReservationsvertragcontrat de réservation
Propriedade por andaresStockwerkeigentumpropriété par étages (PPE)
MilésimosWertquotequote-part (millièmes)
Assembleia e ataVersammlung, Protokollassemblée, procès-verbal
Fundo de renovaçãoErneuerungsfondsfonds de rénovation
EncargosNebenkostencharges
Área útilNettowohnflächesurface habitable nette
Valor locativoEigenmietwertvaleur locative
CauçãoMietkautiongarantie de loyer
Prolongação do arrendamentoErstreckungprolongation du bail

Sobre este guia. Isto é conteúdo educativo sobre as regras gerais para comprar casa na Suíça, verificado a 14.10.2026. Junta o que se aprende a analisar compras reais — contas e atas de PPE, ofertas de bancos, contratos de promotores — sem nenhum caso concreto. A Alpine Lynx não é consultora financeira, fiscal, jurídica nem imobiliária licenciada e não presta aconselhamento. Os exemplos usam números inventados; nenhum produto, banco ou estratégia é recomendado. As regras dos bancos, dos cantões e das comunas mudam, e cada caso é analisado à parte. Confirma sempre a tua situação junto das entidades competentes: o teu banco, um notário, um advogado e a autoridade fiscal.

Fontes principais. Código Civil (art. 169, 712i, 712l, 837, 839), Código das Obrigações (art. 160, 216, 261, 264, 272–273, 371, 404), Lei sobre a aquisição de imóveis por pessoas no estrangeiro (Lex Koller) e anteprojeto de revisão (15.4.2026), Lei das residências secundárias (Lex Weber), Lei da previdência profissional (art. 30c–30e, 79b); diretivas da Associação Suíça de Banqueiros sobre hipotecas (em vigor desde 1.1.2025); Serviço Federal da Segurança Social; Conselho Federal (fim do valor locativo, 1.4.2026; fundo de renovação, 13.5.2026); Administração Federal das Contribuições (custos de compra por cantão); Tribunal Federal (4A_97/2025); Banco Nacional Suíço (24.9.2026); MoneyPark (juros, 21.9.2026); normas SIA 118, 181 e 416.