O fundo de renovação de uma PPE na Suíça: quanto pôr de lado e quem decide as obras
Num prédio em propriedade por andares, o telhado, a fachada e o elevador são de todos, e um dia custam muito. Aqui vês o que é o fundo de renovação, a quem pertence, quanto paga o teu lote, quem decide uma obra e como se registam as decisões. Com um simulador do fundo ao longo de 25 anos.
Só para quem vive na Suíça.Informativo. Este guia segue a lei e as regras suíças. Pode ter erros ou estar desatualizado: confirma sempre nas fontes oficiais e, em caso de dúvida, pede ajuda a um serviço oficial. Não é aconselhamento financeiro, fiscal nem jurídico; para custos e funções do teu e-banking, vale o que o teu banco disser.
- O que é o fundo
- O fundo ao longo dos anos
- Quanto paga o teu lote
- Quanto dura cada coisa
- Quem decide uma obra
- Da proposta às contas
- As contribuições, de uma vez
- Perguntas
O que é o fundo de renovação de uma PPE?
PPE quer dizer propriedade por andares: cada pessoa é dona do seu apartamento (o lote) e, em conjunto, de tudo o que é comum, como o telhado, a fachada, a escada e o elevador. Cada dono é um condómino. Um dia o telhado tem de ser refeito. O fundo de renovação é o dinheiro que se vai juntando, ano a ano, para esse dia.
A lei dá à assembleia dos condóminos o poder de criar um fundo para reparações e renovações (art. 712m). É a assembleia que decide criá-lo, e é o regulamento do prédio que diz como funciona. Confirma no teu se o prédio tem um.
A obraO telhado custa CHF 120’000O loteUm lote de 150 ‰ paga CHF 18’000 de uma vezO riscoHá quem não tenha o dinheiro nesse ano, e a obra atrasa
A obraO mesmo telhado, pago pelo fundo, se este tiver o dinheiroO loteO mesmo lote foi pagando um pouco todos os anosA diferençaSem choque no bolso de ninguém; o dinheiro já estava guardado
A comunidade dos condóminos adquire em seu nome o que resulta da administração, nomeadamente as contribuições e o fundo de renovação (art. 712l). O fundo é um só, da comunidade. Por isso, quem vende o apartamento, em regra, não leva a sua parte: fica no fundo, para o prédio. Confirma no regulamento e no contrato de compra, que é onde se vê se o preço teve isso em conta.
O fundo ao longo dos anos: chega para as obras?
Um exemplo de um prédio com quatro obras grandes ao longo de 25 anos: a pintura da escada, o telhado, o elevador e a fachada. Mexe nos dois cursores. Os números são inventados e não levam em conta juros nem inflação: o gráfico serve para veres a forma.
Simulador do fundo de renovação
| Ano | Obra | Custo (CHF) |
|---|---|---|
| 6 | Pintura da escada | 25’000 |
| 12 | Telhado | 120’000 |
| 18 | Elevador | 90’000 |
| 23 | Fachada | 140’000 |
Com CHF 40’000 no fundo e CHF 8’000 por ano, o dinheiro acaba no ano 12, com o telhado.
Quando o saldo fica negativo é porque a obra chegou antes do dinheiro. Há dois caminhos: contribuir mais todos os anos, ou pagar o que falta de uma vez, repartido pelas quotas (art. 712h). Quanto mais cedo se começa, mais pequena é a contribuição anual.
Quanto paga o meu lote por ano?
Os condóminos contribuem para os encargos comuns na proporção das suas quotas (art. 712h). A quota de cada lote é uma fração do prédio, em permilésimos (‰) ou em centésimos, 85 ‰ quer dizer 85 partes em 1’000. Para saberes a tua, vê o regulamento ou a escritura do teu apartamento.
A parte do meu lote
- Por ano
- Por trimestre
- Por mês
- A tua parte da obra extra
O teu lote é do prédio, e paga essa parte dos encargos comuns.
Um lote não pode ter mais de 1’000 ‰: o prédio todo são 1’000 ‰. Confirma o número no regulamento.
O valor da contribuição não vem da lei: é o que o regulamento ou a assembleia decidirem. Há regulamentos que o fixam como uma percentagem do valor de seguro do edifício. É só um exemplo:
Agora o prédio todo, lote a lote. A divisão ao cêntimo é a mesma regra da app: a soma dá sempre o total, sem um cêntimo a mais nem a menos. Muda o total, os pesos ou os nomes.
| Lote | Permilésimos |
|---|---|
| 1.º esquerdo | 100 |
| 1.º direito | 120 |
| 2.º esquerdo | 150 |
| 2.º direito | 180 |
| 3.º esquerdo | 200 |
| Cobertura | 250 |
- Nem sempre é tudo igualSe uma parte do edifício ou uma instalação não serve certos condóminos, ou serve muito pouco, isso tem-se em conta na repartição (art. 712h). Um exemplo possível: o elevador e o lote do rés-do-chão.
- Quem não pagaA comunidade tem direito a uma hipoteca legal sobre o lote de cada condómino pelas contribuições dos últimos três anos (art. 712i).
Quanto dura cada coisa?
Uma regra simples para fixar a contribuição: lista o que há no prédio, quanto custa e de quantos em quantos anos se refaz. Estes são só ordens de grandeza para o exemplo; cada prédio é diferente. Pede a um profissional que veja o teu.
Vida útil em anos (valores de exemplo)
| Componente | Anos (exemplo) |
|---|---|
| Pintura das partes comuns | 10 |
| Aquecimento (caldeira) | 20 |
| Elevador | 25 |
| Janelas | 30 |
| Fachada | 30 |
| Telhado | 40 |
A conta é: custo de substituir ÷ anos de vida = quanto pôr de lado por ano. Soma-se tudo e chega-se à contribuição do prédio.
Por exemplo, um telhado de CHF 120’000 que dura 40 anos pede CHF 3’000 por ano. Soma os outros componentes e tens uma ideia do fundo. O valor final é o que a assembleia aprovar.
Quem decide esta obra?
Para os atos de administração e para as obras, aplicam-se as regras da compropriedade (art. 712g). Quanta gente tem de votar a favor depende do tipo de obra. Responde:
1. Que tipo de obra é?
Necessária: mantém o edifício em bom estado (um telhado que pinga, uma canalização que rebenta) Útil: aumenta o valor ou o rendimento do prédio (um isolamento melhor, painéis solares) De luxo: embeleza ou dá conforto (um átrio todo em mármore)As obras necessárias de manutenção decidem-se pela maioria de todos os condóminos (art. 647c). Conta quem não vota, ou está ausente: é a maioria do total, e não só dos presentes.
As obras úteis precisam da maioria dos condóminos que represente também a maioria das quotas (art. 647d). Conta o número de pessoas e conta o peso dos lotes.
As obras de luxo precisam de todos os condóminos (art. 647e), com a exceção que a própria lei prevê. É a regra mais difícil: um só voto contra pára a obra.
Na dúvida sobre em que grupo cai uma obra, pede conselho a um profissional ou ao administrador antes da assembleia. O regulamento também conta: confirma-o.
Decidida a obra, falta saber como se paga. Há três caminhos.
- Pelo fundoA assembleia decide usar o que está guardado. Só se faz até onde o saldo chega.
- Por uma contribuição extraCobra-se o que falta, repartido pelas quotas (art. 712h). É o caso do simulador, quando o saldo fica negativo.
- Por uma dívidaOs juros e a amortização das dívidas garantidas pelo imóvel contam entre os encargos comuns (art. 712h). É a última escolha: fala antes com o administrador.
Da proposta às contas: o fundo, passo a passo
O administrador executa as decisões da assembleia, reparte os custos, cobra as contribuições e administra os fundos (art. 712s). A assembleia decide. Um percurso possível para uma obra:
- PropostaUm condómino ou o administrador diz qual é o problema e propõe tratá-lo. Boas fotografias e uma nota curta ajudam.
- OrçamentosPedem-se vários, com o mesmo âmbito, para se poderem comparar. Os condóminos recebem-nos antes da assembleia.
- AssembleiaVota-se a obra, o orçamento escolhido e a forma de pagar. A decisão fica numa ata (art. 712n).
- ObraO administrador executa a decisão. Se a obra for dividida em partes, cada fatura vai para o processo.
- ContasNo fim, as faturas entram nas contas, que a assembleia aprova com a repartição dos custos (art. 712m). O saldo do fundo passa ao ano seguinte.
Antes da assembleia que decide uma obra, vai passando a lista. Fica guardada só neste browser.
- O problema está descrito. Com fotografias e, se possível, uma opinião de um profissional.
- Há mais de um orçamento. Com o mesmo âmbito, para se poderem comparar.
- Sabes o tipo de obra. Necessária, útil ou de luxo, porque define a maioria precisa (art. 647c, art. 647d, art. 647e).
- O saldo do fundo está à vista. Quanto há, e quanto falta se a obra o passar.
- A forma de pagar vem na proposta. Fundo, contribuição extra ou dívida, com a parte de cada lote.
- A ordem de trabalhos chegou a todos. Com os documentos, e a tempo, conforme o regulamento.
- Alguém toma a ata. A decisão e o resultado do voto ficam escritos (art. 712n).
- As contas da obra ficam à parte. Para se ver o que saiu do fundo e o que veio de contribuições extra.
O fundo e as contribuições, de uma vez
Cada lote paga a sua parte, todos os anos. Na QR Quota, uma app para iPhone, o prédio é uma «associação» e cada lote é um «membro». O resto segue o que viste acima.
- Os lotes, uma vezNome, email e forma de tratamento
- O total do anoDividido pelos permilésimos de cada lote
- Uma QR-bill por loteCada uma com a sua referência
- Quem já pagouMarcas tu; reenvias só a quem falta

- O fundo dividido pelos pesosA contribuição anual do fundo, repartida pelos permilésimos de cada lote, ao cêntimo.
- Uma obra extra, como relatório de despesasAs linhas de despesa da obra, divididas pelas quotas. Depois do primeiro envio, as linhas ficam bloqueadas.
- Uma referência por lote e por envioSCOR com a IBAN normal; QRR com a QR-IBAN. Segue os Swiss Payment Standards (IG v2.3).
- Do teu emailA app envia da tua conta, Gmail ou outro fornecedor. Por ano ou por mês; o envio automático é Pro.
- Os dados ficam no iPhoneSem conta. A app não fala com o teu banco: quem já pagou, marcas tu.
Grátis para uma associação com até dois membros e três relatórios de despesas ativos, sem limite de tempo. O Pro experimenta-se 14 dias grátis; depois escolhes semanal, anual ou um pagamento único, para sempre. O preço está na App Store.
Outros guias: repartir os custos do condomínio e criar uma QR-bill.
Descarrega a QR Quota, para iPhone. Uma QR-bill por pessoa, cada uma com a sua referência, enviada do teu email. Grátis para começar, sem conta.
Perguntas frequentes
O fundo de renovação de uma PPE é obrigatório?
A lei dá à assembleia o poder de criar um fundo para reparações e renovações (art. 712m). É a assembleia que decide criá-lo; confirma no regulamento do teu prédio se existe um.
A quem pertence o fundo de renovação?
À comunidade dos condóminos, e não a cada um: a comunidade adquire em seu nome as contribuições e o fundo de renovação (art. 712l).
Se vender o apartamento, recebo a minha parte do fundo?
Em regra, não: como o fundo pertence à comunidade (art. 712l), fica no prédio. Confirma no regulamento e no contrato de compra se o preço teve isso em conta.
Como se reparte o custo das obras entre os condóminos?
Na proporção das quotas de cada lote (art. 712h). Se uma parte do edifício serve pouco certos condóminos, isso tem-se em conta na repartição.
Quem decide fazer obras num prédio em PPE?
A assembleia, pelas regras da compropriedade (art. 712g): maioria de todos para obras necessárias (art. 647c), dupla maioria para as úteis (art. 647d) e unanimidade para as de luxo (art. 647e).
O que acontece a quem não paga as contribuições?
A comunidade tem direito a uma hipoteca legal sobre o lote do condómino pelas contribuições dos últimos três anos (art. 712i).
Sobre este guia. Conteúdo informativo. Não é aconselhamento jurídico nem técnico: o que vale para o teu prédio são o regulamento, as decisões da assembleia e o contrato de compra. Os exemplos e os números são inventados. Os artigos citados são do Código Civil suíço (propriedade por andares e compropriedade); cada um leva ao texto oficial no Fedlex, em francês (não existe em português). Este guia não trata de impostos. Este guia pode ter erros ou estar desatualizado: confirma sempre nas fontes oficiais. Atualizado em outubro de 2026.
Fontes (4)
- Fedlex: Código Civil suíço, artigos 712a a 712t (a propriedade por andares), em francês
- Fedlex: Código Civil suíço, artigos 712h e 712i (os encargos comuns), em francês
- Fedlex: Código Civil suíço, artigos 712l, 712m e 712n (o fundo, a assembleia, a ata), em francês
- Fedlex: Código Civil suíço, artigos 647c a 647e (as obras), em francês